Sabes avó? Sempre que estou triste penso em ti. E é tão injusto pensar mais em ti quando estou triste do que quando estou feliz...
É que se tivesses aqui isto não acontecia assim, porque mesmo que tivesse triste tinha alguém para conversar, desabafar, abraçar e para me reconfortar.
Porque sempre foste tu que estiveste lá e me apoiavas.
Porque eras tu que me levavas ao karate, que assistias aos treinos, aos campeonatos, eras sempre tu que estavas lá.
Sabes? Depois de morreres nunca mais se importaram com isso. O pai assistiu ao meu exame para cinto negro, mas mais nada.
A avó Fernanda gaba-se as pessoas das medalhas que ganho, quando sempre disse que ia desistir do karate. Faz-me imensa confusão. Quando devias ser tu a fazê-lo, porque se não fosses tu não tinha chegado onde estou agora.
Ainda hoje não percebo porque te tiraram de mim, quando és a pessoa mais importante da minha vida.
E tenho raiva, porque não consigo ter fé, não consigo ser religiosa, quando tu todos os domingos ias à missa. Se calhar foi por isso, por te tirarem de ao pé de mim! Era a última coisa que queria!
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